Edifício comercial Landmark, São Paulo.

3 01 2013

landmark-planta-ovaladaUma leitura rápida esbarra na afirmação de que os volumes de pavimento-tipo ovalado derivam das torres redondas, de ocupação difícil. No caso do Landmark, essa possível dificuldade já fica afastada pelas várias opções de layout apresentadas pelo escritório. “Um edifício de planta circular com core central pode proporcionar uma circulação periférica indesejável. No entanto, uma planta nem retangular, nem circular, mas de periferia elíptica, pareceu-nos um caminho a seguir. Aliás, para facilitar o projeto e a obra, a concepção evoluiu para uma planta com a periferia composta landmark-forma-gabaritode arcos de círculo com concordâncias na passagem de um raio para outro”, afirma Marc Rubin.

A planta em elipse aparece, na história da arquitetura, como uma derivação da retangular. Ela pertence a uma tipologia que surge como evolução da torre europeia, esta nascida, por sua vez, em 1933, na proposta de Le Corbusier para o edifício da Rentenanstalt, em Zurique, Suíça. Embora a edificação não tenha sido construída, permaneceu no imaginário dos arquitetos modernos a ideia de fazer uma variação da lâmina regular de quatro lados, transformando-a em um poliedro de seis ou oito lados – concretizada em torres emblemáticas, como a Pirelli (1956), de Gio Ponti, em Milão, e a Pan Am (1963), de Walter Gropius, em Nova York. No desenvolvimento dessa tecnologia, é interessante observar o exato momento em que o poliedro se transforma em elipse: em São Paulo, no edifício Itália (1953), de Franz Heep, discípulo de Corbusier. De lá para cá, a tipologia foi retomada por autores diversos, e um dos mais conhecidos exemplos foi chamado de “edifício-batom” (Lipstick Building), na rua 53, em Nova York. Desenhado em 1986 por Philip Johnson e John Burge, trata-se de um volume escalonado que atinge 138 metros.

landmark-croquis

Rubin chegou à volumetria do Landmark por outro caminho. Para a concepção do projeto, havia uma questão marcante: o cliente queria construir o edifício em duas fases. Nesse momento, surge a decisão de desenvolver uma composição horizontal, como partido arquitetônico e não como imposição da legislação.landmark-varandas O prédio é baixo diante dos vizinhos: possui cerca de 65 metros de altura, contra 158 da Torre Norte, dos mesmos autores, ou ainda 149 metros do Robocop, de Carlos Bratke. “Analisando o contexto do entorno na marginal, não achamos motivação para criar mais um prédio que poderia se tornar anônimo entre os outros”, conta Rubin. “Uma solução vertical a construir em duas etapas resultaria numa torre mal dimensionada, tendo em vista a proporção e uma das fachadas laterais cega. Começamos a trabalhar imaginando dois edifícios relativamente baixos, acoplados, conforme o programa, sendo um ligeiramente mais alto que o outro.”

Uma sequência de croquis elucida o processo criativo. Primeiro, há uma série de soluções com dois volumes levemente deslocados, cada qual com um gabarito. Em seguida, começam a ser estudadas opções em que se curvam as fachadas frontal e posterior, dentro do exercício que Rubin realiza atualmente com planos de vidro independentes. “Então nos ocorreu que a silhueta horizontal resultante permitiria uma expressão arquitetônica diferenciada. O próximo passo foi intuitivo: com tantas fachadas de superfície plana na marginal, por que não uma planta elíptica?”, relata o autor. Os clientes se entusiasmaram com a ideia e o edifício foi construído em uma única etapa.landmark-marquise

A horizontalidade da proposta foi reforçada pelas linhas das varandas. “Vimos a possibilidade de criar um contraste entre sacadas tangenciando o plano curvo da fachada de vidro. Essa contraposição foi realçada pela diferença entre a superfície fosca do revestimento dos peitoris das sacadas e o brilho da face de vidro”, afirma Rubin. Esse contraste, segundo ele, foi também valorizado pelo fato de a pele de vidro encobrir a totalidade do edifício. “E o vidro é um material eterno e reciclável, que se presta tanto para filtrar a luz do dia como para o revestimento, e neste caso escolhemos não realçar a estrutura com o uso de outro material”, completa o arquiteto.landmark-coluna

O Landmark divide o terreno com outras duas torres residenciais (mais altas), desenhadas por Roberto Candusso. Ele ocupa a área mais valorizada do lote, de frente para a marginal do Pinheiros, enquanto as outras edificações foram implantadas na zona mais silenciosa. As equipes trabalharam juntas no plano diretor. O paisagismo, realizado por Gilberto Elkis em ambos os programas, é um dos traços que unificam o empreendimento, diferenciado pelo caráter de cada arquitetura. Vale destacar ainda a estrutura limpa do Landmark – desenhada por Mario Franco -, que possui transição entre o primeiro andar e o térreo.

Texto de Fernando Serapião

Equipe CT Projetistas.

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7 01 2013
Escritório, São Paulo « CT projetistas

[…] novo escritório ocupa meio pavimento do Landmark (leia a materia completa ), edifício de salas comerciais com cerca de 2 mil metros quadrados de área de laje e planta […]

6 02 2013
Escritório, São Paulo

[…] novo escritório ocupa meio pavimento do Landmark (leia a materia completa ), edifício de salas comerciais com cerca de 2 mil metros quadrados de área de laje e planta […]

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